Blocos Líricos de Pernambuco - Batutas de São José

Hoje tem abertura do carnaval e por isso vou tentar homenagear os principais blocos líricos do Recife. O primeiro é também um dos mais antigo em atividade, o Bloco Carnavalesco Misto Batutas de São José,   fundado em 1932 no Pátio de São Pedro. 

Os Batutas é uma das principais atrações do carnaval, levando sempre uma boa quantidade de pessoas. Seu maior compositor foi o João Santiago, que compôs o principal sucesso comercial do bloco, Você Sabe Lá o Que Isso, conhecido também como o Hino dos Batutas.


Eu quero entrar na folia, meu bem
Você sabe lá o que é isso
Batutas de São José, isso é
Parece que tem feitiço
Batutas tem atrações que,
Ninguém pode resistir
Um frevo desses bem faz,
demais a gente se distinguir

Deixe o frevo rolar
Eu só quero saber, se você vai brincar
Ah! Meu bem sem você não há carnaval
Vamos cair no passo e a vida gozar


João Santiago, um dos principais compositores dos Batutas de São José
Outra música gravada pelos Batutas, e clássica no carnaval, é a Evocação Nº1, de Nelson Ferreira.


Felinto, Pedro Salgado, Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos
Bloco das Flores, Andaluzas, Pirilampos, Apôs-Fum
Dos carnavais saudosos
Na alta madrugada
O coro entoava
Do bloco a marcha-regresso
E era o sucesso dos tempos ideais
Do velho Raul Moraes
Adeus adeus minha gente
Que já cantamos bastante
E Recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia

Nelson Ferreira, um dos pais do Frevo

Nesse carnaval de 2012, os Batutas vão desfilar na segunda às 21h, no desfile de agremiações no pólo Marco Zero

O Capibaribe e o Recife - História Social e Sentimental de um Rio

em 1959 Vamireh Chacon publicou a historia social e sentimental do Capibaribe. Para ele, o rio e a cidade do Recife formam uma unidade geográfica, histórica, econômica e sociológica, mas também sentimental e poética. A importância dessas águas para o passado da cidade todo mundo já conhece, mas muita gente ainda pensa que atualmente o rio é morto na área central. Bom, na minha opinião o rio ainda mantém uma função social, sentimental, econômica, sociológica e poética com a cidade, expressa através dos variados usos que ali ocorrem. Um exemplo desses usos, que compõem a paisagem do centro, são os pescadores da área central. Verdadeiros heróis da resistência, frente a todos os problemas ambientais presentes nessas águas. 



Pescar sobre as pontes do centro é uma boa forma de conseguir alimentação. Siri e peixe soia tem é muito. Quando a maré tá boa, eles conseguem vender um balde de Siri no Mercado de São José por R$ 10 aproximadamente. Já o Soia só alguns pescadores mais necessitados utilizam para comer.

Ao contrário da foto acima, onde o pescador utiliza um Jereré totalmente artesanal e tripa de galinha como isca, na pesca com a Tarrafa, quando realizada sobre as pontes, é mais utilizada como hobby ou alimentação própria. Utilizar esse método requer um maior investimento do pescador, além de uma maior técnica da pesca.



Essa técnica da pesca sobre as pontes não se refere apenas no modo de lançar a tarrafa, mas sim no local de jogar. Alguns pescadores relataram que conseguem ver os cardumes de peixes de cima das águas e os movimentos que eles fazem em relação a maré.

Na margem do rio da Rua da Aurora, sob a Ponte do Limoeiro, há um importante cais para um grupo de pescadores, moradores de local diversos. Antigamente alguns desses pescadores eram moradores da "extinta" comunidade da Vila dos Morcegos, retiradas do local pela Prefeitura do Recife em 2004.


A pesca nos barcos formam um verdadeiro ciclo econômico. O pescador diz retirar das águas de 100 a 200 toneladas de peixes diversos após uma noite inteira de trabalho abaixo da ponte giratória (Isso eu acho que só pode ser lenda de pescador ou de um cara que não tem noção alguma de peso). Esse produto já tem comerciantes fixos na margem do rio, na Avenida Martins de Barros, onde ele recebe o pescado em torno das 06h30 da manhã e revende aos passantes numa velocidade incrível. Não lembro ao certo agora, mas se não me engano 10 Kg desse peixe sai por R$ 25 para o usuário final e 100 kg por R$ 100 para o atravessador (falta confirmar a informação).



Jogar a tarrafa no rio a partir das embarcações também necessita de uma técnica de equilíbrio apurada, que é muitas vezes passadas entre as gerações. É muito comum ver pescadores trabalhando com os filhos e netos.

Locais de pescaria, além de todas as pontes do centro são nas proximidades da rua da aurora (como na foto abaixo onde vemos o Ginásio Pernambucano e a Assembleia Legislativa), próximo ao palácio do campo das princesas, na altura da prefeitura do Recife e do mangue da Casa da Cultura.

Bom, esses são alguns dos aspectos dos pescadores do centro. Ainda podem ser feitas observações sobre as marisqueiras, maioria vinda de Brasilia Teimosa, localizadas raramente no entorno do palácio do campo das princesas em momentos de maré baixa.


O Rio Capibaribe e o Recife estão unidos, como já falaram vários poetas. Mas isso já é assunto para outra postagem....

Sports Aquáticos no Capibaribe

Tem gente que quer voltar a nadar no Capibaribe ou somente usar o rio na cidade. Antigamente isso era um dos locais de diversão da sociedade do Recife, que ainda começava a descobrir o futebol e tinha no remo e na natação a grande mania da cidade.



Muitos barcos de três clubes nas águas do Capibaribe. Será ao fundo o bairro de Santo Antônio? Não tenho certeza.

Outro flagrante da diversão. A chapa mostra as embarcações do Sport Clube do Recife.

Nessa a foto da equipe do Sport em 1928, vencedora do campeonato daquele dia.

O grande momento: A chegada bem disputada no ponto final. Sport e Barroso lutaram até o fim.
Aqui um aspecto da moda feminina para a prática dos "Sports Aquáticos"

 Aqui uma foto histórica. Momentos antes dos três nadadores se lançarem ao rio para disputar a prova náutica do "Homem-Peixe". No dia desta foto, o trajeto tinha inicio em Apipucos e ponto de chegada na Rua da Aurora, a nado. A prova depois de anos e vários outros trajetos menores deixou de ser praticada nos anos de 1960 aproximadamente. Mas, voltando a foto, no centro vemos o próprio Homem Peixe, grande campeão da disputa, tendo a direita o senhor José de Mello Alencar e a esquerda o senhor José Pedro de Lima.
Notem que José de Mello Alencar é deficiente físico e disputou a prova a nado de igual para igual. Na verdade, ele foi o último a desistir da prova, já que o José Pedro de Lima, com dores nas pernas abandonou logo no início e o Homem Peixe na altura do Derby, devido a grande corrente do Rio Capibaribe em julho de 1928.

Fotos tiradas do A Província, já vista várias vezes aqui no blog.

Coluna social Recifense

Dois flagrantes da high-society do Recife de 1928. Gente bonita, animada e liberal, dançando nos clubes da cidade.




E aqui uma foto do absurdo de como a realeza Afegã se ocidentalizou.... coisa triste!



RPA1 - Caminhos da Cidade

Raramente eu posto somente um vídeo. Esse eu achei bem legal pela simplicidade com que leitura da paisagem é feita.Vale conferir


Recife de Ontem e Recife de Hoje

Quatro locais do Recife. Fotografados ontem e hoje.


1) Mercado de São José
Inaugurado em 1875 o Mercado já passou por várias reformas em suas estruturas. Tombado pelo IPHAN como um importante exemplar da arquitetura de ferro no Brasil, é hoje um centro de distribuição alimentar e comércio de artesanatos na área central.
Dia movimentado no Mercado de São José, em aproximadamente 1880.
Artesanato no Mercado de São José em 2011
2) Igreja do Carmo
Construída no local do antigo palácio da Boa Vista (Falta confirmar essa informação), a fachada e pátio da Igreja do Carmo, no centro do Recife sobreviveu frente as destruições empreendidas no século XX. Claro que a lógica do pátio ficou danificada com a abertura da Avenida Dantas Barreto, mas ainda mantém sua característica.
Fachada da Igreja do Convento do Carmo em 1865.
Fachada e pátio do Carmo em 2011.

Aberta ao público em 1882 é uma das igrejas católicas mais recentes do centro do Recife. O local onde ela se encontra era, aparentemente, terras da comunidade dos Clérigos da Igreja de São Pedro
Igreja e Pátio do Livramento em Recife, aproximadamente 1880.

Pátio do livramento em 2011. Outro pátio destruído pela lógica das Avenida imposta nas décadas de 1960.


No século XIX Luis-Léger Vauthier disse que era um absurdo Recife não ter um teatro decente. Com essa ideia, o engenheiro francês construiu um dos principais locais de diversão para as elites daquela época.

Teatro de Santa Isabel, aproximadamente em 1855


Teatro de Santa Isabel em 2011.


As fotos antigas são do livro de Gilberto Ferrez - Velhas Fotografias Pernambucanas 1851 - 1890, onde ele organiza um álbum com imagens variadas da cidade e da região.

Igreja de São Pedro dos Clérigos

Gilberto Freyre disse que essa é uma das Igrejas mais românticas do Brasil. Na minha opinião é um dos locais mais bonitos e legais do Recife. Seguem as fotos (de celular com baixa qualidade), de uma Igreja muito barroca, mas com coisas do rococó e maneirismo.
Detalhe que tanto a igreja quanto pátio são tombados pelo IPHAN.

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